terça-feira, 6 de novembro de 2012

Fuga

Fuga (Rafael França)


Fujo, como o diabo da cruz
De ventos fortes, ventanias
Escondo-me na saia de mãe
Tremendo, sem pingo de valentia

Acovardo-me no escuro
Sem calor ou proteção
Evito contatos maiores
Não preciso revelação

Do mar, mantenho-me seco
O sal me afasta do rir
Ofego toda a respiração
Nem cheiro quero sentir

Não subo, não desço
Com passos curtos ando
Não pulo, não abaixo
Não tento, nem a mando

Não abuso da saúde
Tampouco da pouca sorte
Não desafio o tempo
Mas são olhos nos olhos da morte

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